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sexta-feira, 6 de março de 2020

Shen Kuo [Cientista]


Também chamado de Shen Kua foi um cientista chinês do século XI, nasceu em 1031 e morreu em 1095, e como grande parte dos cientistas da antiguidade apresentava várias especialidades. Era geólogo, astrônomo, matemático, cartógrafo, engenheiro hidráulico, botânico, zoólogo, farmacólogo, além de exercer atividades não atreladas à ciência como embaixador, general militar, escritor e burocrata. Enfim, carrega uma lista enorme de funções.
Foi aos 35 anos, vivendo em Qiantang, atual Hangzhou (ou Hancheu), uma cidade da China, capital da província de Zhejiang, que passou no exame imperial para servir ao governo, iniciando aí sua vida como funcionário público. Embaixador, administrador e chanceler foram algumas de suas atividades.
O cientista é mais conhecido por ser o primeiro a descrever a bússola magnética no livro Mengxi Bitan. Foi o primeiro a descobrir que as agulhas magnéticas, utilizadas nas bússolas, são direcionadas para o norte e sul magnético e não para o norte ou sul geográficos. Essas conclusões vieram por conta do seu acompanhamento de 5 anos da posição da Estrela Polar, que na época era vista diretamente por uma pessoa que se encontrava no polo geográfico da Terra.
Descreveu observações paleontológicas de fósseis de bambu. Afirmou que sol e lua não eram planos, mas sim esféricos (Século XI ok?!), justificando tal afirmação pelo que se observava nos eclipses solares e lunares (onde é possível observar a circunferência desses astros).
Foi o primeiro em vários aspectos do conhecimento. Fez dois atlas geográficos, uma carta geográfica tridimensional, técnicas para o reparo de barcos (dique ceco), reformou o calendário chinês com base em suas observações astronômicas entre outras coisas.
Ao final da sua vida se isolou em sua casa onde morreu. Seu túmulo hoje se encontra na zona de Yuhang de Hangshou.

Fontes:
CHALTON, N. & MacARDLE, M. 2018. A história da ciência para quem tem pressa. Rio de Janeiro: Valentina. 4ª Edição. 200 p.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

O menor planeta anão do Sistema Solar

Hígia

O Observatório Europeu do Sul, utilizando seu sistema óptico SPHERE (Spectro-Polarimetric High-contrast Exoplanet REsearch), montado no Very Large Telescope, observou em outubro desse ano (2019) o que seria o menor planeta anão do Sistema Solar.
Trata-se do até então asteroide esférico Hígia que se encontra no cinturão de asteroides e é o quarto maior objeto da estrutura.
O trabalho publicado no periódico Nature Astronomy apresenta pela primeira vez Hígia com resolução boa o suficiente a ponto de melhor determinar sua forma, tamanho e possíveis pontos de colisão com outros astros.
Para os pesquisadores responsáveis pelo estudo, Hígia atende três dos quatro requisitos para ser classificado como um planeta anão: 1) Possui órbita circular em torno do Sol (isso só é possível por ter massa suficiente); 2) Não é satélite de nenhum outro planeta; e 3) Não “limpou” o espaço ao redor de sua órbita.
Hígia tem diâmetro de 430 km, cerca de cinco vezes menor que o planeta anão mais conhecido do nosso Sistema Solar, Plutão, que possui aproximadamente 2.400 km de diâmetro.
Muitos estudos serão necessário para realmente corroborar com a hipótese de Hígia ser um planeta anão.

FONTES:
VERNAZZA, P., JORDA, L., ŠEVEČEK, P. et al. 2019. A basin-free spherical shape as an outcome of a giant impact on asteroid Hygiea. Nature Astronomy. doi:10.1038/s41550-019-0915-8

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Júpiter já engoliu um planeta!


Astrônomos do Japão, China, Suíça e EUA concluíram que o planeta Júpiter, o maior planeta do sistema solar, absorveu um planeta há 4,5 bilhões de anos atrás, durante a sua e a formação do sistema solar como um todo.
Os cientistas chegaram a essa conclusão utilizando dados da sonda espacial Juno que estava analisando o núcleo do planeta e encontrou que o mesmo era difuso, formado por rochas sólidas e bolhas de gás hidrogênio. Só para se ter uma ideia o planeta é gasoso, mas possui em seu núcleo uma estrutura sólida.
Há outras hipóteses para explicar o porquê do núcleo ser difuso, mas a hipótese do impacto com outro planeta é a mais plausível de acordo com os cenários desenhados pelos pesquisadores.
Ela também corrobora com a ideia de que o nosso sistema solar durante sua formação era caótico, cheio de impactos (vide as crateras da Lua, por exemplo), não só de asteroides, mas de grandes corpos celestes. A Lua é um exemplo de corpo que surgiu de um impacto de um planeta com a Terra.
O estudo foi publicado na Nature e é muito interessante por nos possibilitar voltar no tempo e imaginar como era essa região do cosmos.
Até!

FONTE:
LIU, S.-F.; HORI, Y.; MÜLLER, S.; ZHENG, X.; HELLED, R.; LIN, D. & ISELLA, A. 2019. The Formation of Jupiter’s diluted core by a giant impact. Nature 572, 355-357.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

A Terra vem parando de girar


Sim, é isso mesmo: a Terra está desacelerando. Mas não se assuste, são apenas milissegundos. Porém, é por conta dessa curiosidade que vem ou outra vem à tona uma pergunta bastante capciosa: e se a Terra parasse de girar?
Randall Munroe, em seu livro intitulado “E se...?” (“What if...?” no original) em que busca responder perguntas absurdas, demonstra o cenário catastrófico que ocorreria caso isso viesse a ocorrer. Recomendo a leitura.
Mas primeiro, você sabe a que velocidade a Terra está se movimentando em torno do seu eixo? Ao nível do equador a Terra atinge uma velocidade de rotação de impressionantes 1.667 km/h. Só não sentimos a rotação devido a gravidade que nos prende ao solo, assim como por estarmos girando junto com a Terra em um movimento inercial. Porém, essa velocidade nem sempre foi constante desde a formação de nosso planeta.
É pouco, mas Terra vem parando de girar. O nosso dia, há mais de 200 milhões de anos atrás, durava 21 horas, por exemplo. Foi devido a essa desaceleração que o dia passou a durar as atuais 24 horas. Essa desaceleração é devido à diminuição da energia inercial presente nesse movimento desde a formação do sistema solar.
Chegará o dia em que o movimento da Terra parará completamente, nesse momento o dia e a noite durariam os nossos 365 dias atuais, só que para metades opostas da Terra. Talvez esse dia nunca chegue por causa da expansão do Sol e destruição dos planetas mais próximos a ele, mas a expectativa desse cenário é muito interessante.
Dúvidas, críticas e sugestões: lourivaldias@gmail.com

FONTES:
Munroe, Randall. 2014. E Se? – Respostas científicas para perguntas absurdas. Companhia das Letras.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Al-Battani


Al-Battani, cujo nome completo era Abu Abdallah Mohammad ibn Jabir ibn Sinan al-Raqqi al-Harrani al-Sabi al-Battani, foi um matemático e astrônomo árabe que vivem entre 858 e 929, filho de um pai com grande reputação na fabricação de instrumentos em Harran, possivelmente instrumentos astronômicos, por isso a proficiência na área do filho.
Uma consideração importante sobre seu nome é que o epíteto “al-Sabi” indica que seus ancestrais eram de um grupo religioso que adorava as estrelas, os Sabeus, porém o “Muḥammad” indica que ele era islâmico.
Como cientista propôs as “Tabelas Sabianas” nas quais estavam definidas a posição do Sol, da Lua e dos planetas. Através dos dados presentes nessas tabelas era possível saber as posições futuras desses astros.
Descobriu que a distância da Terra ao Sol e à Lua variava ao longo do ano, além de definir com grande precisão a duração do ano em 365 dias, 5 horas, 46 minutos e 24 segundos, errando por alguns minutos a o tempo designado atualmente de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45 segundos.
Para esses cálculos utilizava a trigonometria, até mesmo para prever eclipses solares.
Catalogou 489 estrelas, mas nunca foi considerado um cientista na sua época, de modo que seus trabalhos só foram reconhecidos 600 anos depois por Nicolau Copérnico.

FONTES:
CHALTON, N. & MacARDLE, M. 2018. A história da ciência para quem tem pressa. Rio de Janeiro: Valentina. 4ª Edição. 200 p.

A primeira foto real de um buraco negro


O dia 10 de abril de 2019 entrou pra história da ciência. Foi o dia em que a primeira foto real de um buraco negro foi divulgada para o mundo.
            Os buracos negros sempre foram astros misteriosos para a ciência. Muito do que se conhece sobre esses corpos celestes advêm da física teórica e/ou de observações indiretas.
            Um buraco negro é um corpo que apresenta uma massa tão grande concentrada em um pequeno espaço que faz com que toda informação que passe pelo horizonte de eventos seja sugada para o seu centro e se prenda, ficando ali aprisionada (ou mesmo seja destruída, quanto a isso pouco se sabe).
E no dia 10 passado, a rede de telescópios de abrangência mundial chamada de Event Horizon, liberou a imagem conseguida a partir dos algoritmos feitos com a liderança de Katie Bouman, cientista da computação do MIT (o que engrandece ainda mais o papel das mulheres na ciência).
O buraco negro fotografado foi o da galáxia M87, um gigante com 40 bilhões de quilômetros de diâmetro e com uma massa de 6,5 bilhões de vezes a do sol. O feito ainda foi maior pela distância em que o corpo está da Terra: 500 milhões de trilhões de quilômetros.
O halo de luz que vemos não é emitido pelo buraco negro, mas sim do gás superaquecido que cai em sua direção.
As perspectivas a partir de agora são enormes, de modo que essa imagem possa ser usado em futuros estudos para se verificar o funcionamento desse tipo de corpo que está por aí pelo universo a fora.

FONTE: