segunda-feira, 3 de junho de 2019

A origem do ouvido interno dos mamíferos


Um dos processos mais belos e instigantes proporcionados pela evolução é, sem dúvida, o surgimento do ouvido interno dos mamíferos.
Atualmente o ouvido interno desse táxon é formado por três ossículos, bastante conhecidos, que são o martelo, estribo e bigorna, estes estão ligados ao tímpano e são responsáveis pela audição, de modo que cada um desses componentes transmitem as ondas de pressão no ar desde o ambiente externo para o cérebro, para que ele possa processar e reconhecer os sons.


A linhagem que dá origem aos mamíferos modernos é o clado Synapsida, este é caracterizado por apresentar uma única fenestra temporal, que nada mais é que um espaço no crânio para inserção muscular, importante para uma melhor maceração do alimento e força na captura de presas.



Tudo começou a cerca de 64 milhões de anos atrás. Os ancestrais dos mamíferos atuais, da linhagem dos Synapsida, assim como os répteis, apresentavam uma maxila inferior formada por vários ossos. O mais anterior era o dentário e um posterior que permitia a articulação dessa maxila com a maxila superior era o quadrado, que se articulava com o articular na região dorsal (articulação Quadrado-Articular).
As forças seletivas em uma direção para o maior consumo de alimentos, devido à tendência evolutiva de maior metabolismo e endotermia, selecionaram linhagens que apresentavam dentários cada vez maiores, assim os ossos que formavam a articulação citada acima (Quadrado-Articular) foram levados mais para trás no crânio.
Chegou um momento crucial em que o osso Quadrado formou a Bigorna, enquanto que o Articular formou o Martelo (o Estribo era o único osso envolvido com a audição nos répteis). O dentário cada vez maior passou a formar completamente a maxila inferior, articulando-se com o crânio superior com o osso Esquamosal (Articulação Dentário-Esquamosal).



Dessa forma os ossículos que hoje formam o ouvido interno dos mamíferos eram originalmente utilizados para a articulação da mandíbula.
Dúvidas, críticas e sugestões: lourivaldias@gmail.com
Até!

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Globalização: As Consequências Humanas [Livro]


Por Luciane Pimentel Corrêa
Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês, principal teórico da pós-modernidade, em mais um de seus mais de 60 livros publicados (só no Brasil, mais de 30), lançou em 1998 seu título “Globalização: As Consequências Humanas”, publicado pela editora Zahar no Brasil.
Conhecido por análises do consumismo pós-moderno e das ligações entre a modernidade e o holocausto, bem como pela abordagem da modernidade líquida, conceito amplamente discutido por ele em suas publicações e que vez ou outra vem à tona em discussões sobre as relações humanas.
Neste livro busca descrever a história da “globalização”, seu início e as suas consequências, dispersando a banalização (ou o “anestésico da familiaridade” para citar Richard Dawkins) sobre o termo. É tão comum falar em globalização que parece algo comum, algo que sempre esteve presente na sociedade moderna, de modo que seria difícil, hoje, pensar em um mundo não globalizado.
O livro está estruturado em cinco capítulos: “Tempo e Classe”; “Guerras espaciais: informe de carreira”; “Depois da Nação-Estado, o quê?”; “Turistas e vagabundos” e “Lei global, ordens locais”.
            Bauman inicia o livro falando sobre que seriam os principais beneficiados da globalização, que seriam as grandes corporações. Existe uma luta de classes entre aqueles que investem capital estrangeiro e os empregados locais. Apesar dos empregados estarem diariamente vivendo a realidade da empresa, são os investidores que tomam todas as decisões visando apenas o lucro, não para os empregados, os quais normalmente não tem participação nos lucros da empresa, mas sim para si próprios.
Outro ponto abordado pelo pensador em relação à globalização é a instantaneidade de transporte da informação. Essa comunicação excessiva e barata, inunda e sufoca a memória ao invés de consolidá-la. Desse modo as elites investidoras se mantêm conectadas virtualmente, sem se aproximar das comunidades onde suas empresas estão inseridas, produzindo uma desestruturação desses locais. Assim, existem toda uma discussão sobre o espaço social moderno-líquido, uma vez que antes os inimigos das comunidades vinham de fora (Vikings, piratas etc), porém hoje os inimigos compartilham o mesmo local. Como isso é possível? Por conta da globalização.
Outro sintoma da pós-modernidade, atrelado com a globalização, é o esgotamento do sistema de governo vigente em que cada Estado-Nação tem um líder, um governante. Esse sistema estaria desgastado, com uma grande possibilidade de extinção, acarretando uma desordem mundial. Atrelado a isso, a falta de controle central ou a descentralização desse controle gera uma quebra entre economia e Estado. Assim, grandes empresas (que são extraterritoriais) podem terceirizar sua mão-de-obra em outros países  em que esta é mais barata, assim têm mais lucro.
Situações efêmeras, como o movimento na pós-modernidade, também seriam criadas pela globalização, como é tratada no capítulo “Turistas e Vagabundos”. Estamos sempre nos movendo, mesmo quando não viajamos, esse movimento seria caracterizado pelo consumo. Assim, liberdade seria ir para onde quiser e comprar o que quiser, porém enquanto que os “Turistas” são caracterizados pela liberdade de movimento e consumo, os “Vagabundos” não possuem tal liberdade e este grupo social é composto pela maioria da população mundial.
Finalizando a obra, Bauman afirma, baseado também nas ideias de ourdieu e Tietmeyer, que a globalização transformou as leis. Gasta-se mais com isolamento do que com integração (educação) e as leis locais são altamente repressivas com a maioria da população (classe média baixa), apesar de “protegerem” relativamente a classe média. Além disso, as leis globais, são estritamente econômicas, flexibilizam relações de trabalho, criam relações de confiança entre investidores, entre outras ações que levam a uma descentralização do poder.
Assim, a globalização é um processo que tem levado à grandes mudanças na pós-modernidade, seja na luta entre classes, seja no modo de fazer política que caminha para um esgotamento. Além de colocar o lucro como a locomotiva que impulsiona o mundo e as relações da sociedade como um todo.

Referência:
BAUMAN, Z. 1999. Globalização: As Consequências Humanas. Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar. 

terça-feira, 14 de maio de 2019

Frase (5)


"O conhecimento, se não determina a ação, está morto para nós"
(Plotino)

Plotino, ao discorrer essa frase, nos faz uma cobrança e faz com que surja uma reflexão: de que adianta ter conhecimento se não há ação?
O conhecimento só tem importância se possibilita àqueles que o tem a capacidade de agir quando se é necessário, caso a ação não venha de que vale esse conhecimento?
Em relação a essa ação, até mesmo o ensinar é uma ação importante que advêm daqueles que possuem conhecimento. De que vale ter conhecimento se não há passagem dele para outros. De que adianta eu ficar com tanto conhecimento acumulado, mas escondido em um refúgio, distante de tudo e de todos? Apenas eu saberei que o tenho. Tal conhecimento não afetará ninguém mais.
Diferentemente de quando ensino. Passo à frente o conhecimento aprendido. Faço um mover na vida de outrem. Permito que os olhos do outro se abram para o novo, para aquilo que já foi novo para mim e que me fez uma pessoa melhor.
Vivo está aquele que tem conhecimento e passa para a frente. Eternize-se no conhecimento e no pensamento das pessoas.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Como funciona a descrição de espécies novas?


É muito comum ouvirmos a expressão: “uma nova espécie foi descrita” ou “pesquisadores descobriram nova espécie de...”, essas são algumas das formas de se falar que uma nova espécie foi descrita, mas a dúvida fica: como realmente isso acontece?
A ciência responsável por dar nomes e avaliar problemas em relação ao mesmo é a taxonomia. Mas vamos por partes. Primeiro como é “descobrir uma nova espécie”?
Tudo começa quando se faz uma coleta em campo, ou seja, o pesquisador vai a algum lugar da Terra e coleta uma amostra de água, solo ou os animais diretamente, seja com as próprias mãos, seja usando armadilhas.
Após conseguir os exemplares a análise se dá em laboratório.
O pesquisador/taxonomista irá fazer uma identificação daquele exemplar, buscando o grupo mais específico possível (Família, Gênero etc), e então fará uma busca entre as espécies daquele táxon ao qual o exemplar pertence se há semelhança morfológica do indivíduo com aqueles em que foi comparado.
Não havendo semelhança morfológica ou mesmo genética vai para a próxima etapa que é descrever aquela espécie.
Essa descrição deve ser feita o mais detalhada possível. Cada parte do animal deve ser descrita em todas as vistas, cores, estruturas, tudo o que aparecer deve ser designada. Fotos podem e devem ser incluídas na descrição para melhor caracterização da espécie.
É essa descrição que segue para publicação em uma revista científica para que se possa ser conhecida pela comunidade acadêmica.
Em relação aos exemplares utilizados para descrever a espécie são designados como únicos fixadores do nome da espécie (também chamados de tipos) e encaminhados para algum museu para serem tombados e preservados para pesquisas futuras.
Assim é feito uma descrição de uma espécie nova.
Até!

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Al-Battani


Al-Battani, cujo nome completo era Abu Abdallah Mohammad ibn Jabir ibn Sinan al-Raqqi al-Harrani al-Sabi al-Battani, foi um matemático e astrônomo árabe que vivem entre 858 e 929, filho de um pai com grande reputação na fabricação de instrumentos em Harran, possivelmente instrumentos astronômicos, por isso a proficiência na área do filho.
Uma consideração importante sobre seu nome é que o epíteto “al-Sabi” indica que seus ancestrais eram de um grupo religioso que adorava as estrelas, os Sabeus, porém o “Muḥammad” indica que ele era islâmico.
Como cientista propôs as “Tabelas Sabianas” nas quais estavam definidas a posição do Sol, da Lua e dos planetas. Através dos dados presentes nessas tabelas era possível saber as posições futuras desses astros.
Descobriu que a distância da Terra ao Sol e à Lua variava ao longo do ano, além de definir com grande precisão a duração do ano em 365 dias, 5 horas, 46 minutos e 24 segundos, errando por alguns minutos a o tempo designado atualmente de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45 segundos.
Para esses cálculos utilizava a trigonometria, até mesmo para prever eclipses solares.
Catalogou 489 estrelas, mas nunca foi considerado um cientista na sua época, de modo que seus trabalhos só foram reconhecidos 600 anos depois por Nicolau Copérnico.

FONTES:
CHALTON, N. & MacARDLE, M. 2018. A história da ciência para quem tem pressa. Rio de Janeiro: Valentina. 4ª Edição. 200 p.

A primeira foto real de um buraco negro


O dia 10 de abril de 2019 entrou pra história da ciência. Foi o dia em que a primeira foto real de um buraco negro foi divulgada para o mundo.
            Os buracos negros sempre foram astros misteriosos para a ciência. Muito do que se conhece sobre esses corpos celestes advêm da física teórica e/ou de observações indiretas.
            Um buraco negro é um corpo que apresenta uma massa tão grande concentrada em um pequeno espaço que faz com que toda informação que passe pelo horizonte de eventos seja sugada para o seu centro e se prenda, ficando ali aprisionada (ou mesmo seja destruída, quanto a isso pouco se sabe).
E no dia 10 passado, a rede de telescópios de abrangência mundial chamada de Event Horizon, liberou a imagem conseguida a partir dos algoritmos feitos com a liderança de Katie Bouman, cientista da computação do MIT (o que engrandece ainda mais o papel das mulheres na ciência).
O buraco negro fotografado foi o da galáxia M87, um gigante com 40 bilhões de quilômetros de diâmetro e com uma massa de 6,5 bilhões de vezes a do sol. O feito ainda foi maior pela distância em que o corpo está da Terra: 500 milhões de trilhões de quilômetros.
O halo de luz que vemos não é emitido pelo buraco negro, mas sim do gás superaquecido que cai em sua direção.
As perspectivas a partir de agora são enormes, de modo que essa imagem possa ser usado em futuros estudos para se verificar o funcionamento desse tipo de corpo que está por aí pelo universo a fora.

FONTE: