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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Crossvallia waiparensis: um pinguim do tamanho de uma pessoa


Com 1,6 metro de altura e pesando seus 80 quilos essa espécie de pinguim viveu durante o Paleoceno (entre 65 e 55 milhões de anos atrás) em uma região que hoje está separada em Nova Zelândia, Austrália e Antártida.
A descoberta do fóssil desse pinguim gigante foi publicada no periódico Alcheringa: Na Australasian Journal of Paleontology e divulgada mais amplamente pelo jornal The Guardian que entrevistou a curadora do CanterburyMuseum, Vanessa De Pietri, uma das autoras do trabalho. Segundo os pesquisadores que analisaram o fóssil, Crossvallia waiparensis tinha o tamanho de uma pessoa de estatura média o que corresponde a quatro vezes o tamanho do maior pinguim conhecido, o pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri).

Comparação entre a nova espécie e o Pinguim-Imperador

A descoberta dos fósseis se deu na Nova Zelândia, mas como citado anteriormente, esta estava ligada a outras regiões continentais. Esses animais deixaram de habitar os oceanos do hemisfério sul após a chegada, e consequente competição, de focas e baleias.

Fósseis da espécie de pinguim encontrados

Como é bom imaginar como seria encontrar um bichão desse pela frente hem?
Até!

FONTES:
Mayr, G., De Pietri, V.L., Love, L., Mannering, A. & Scofield, R.P. 2019. Leg bones of a new penguin species from the Waipara Greensand add to the diversity of very large-sized Sphenisciformes in the Paleocene of New Zealand. Alcheringa XX, xxx–xxx. ISSN 0311-5518. Disponível em https://doi.org/10.1080/03115518.2019.1641619

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

“Todo pássaro é ave, mas nem toda ave é pássaro”


A princípio a frase acima poderá não fazer sentido algum, porém, após uma pequena explicação de taxonomia de aves tudo será esclarecido.
Pássaro é o termo popular para uma ordem de aves.
A ordem Passeriformes é uma das ordens de aves mais difícil de ser classificada, baseia-se no número e posição dos músculos fonadores (que formam a siringe, órgão responsável pelo canto dos “pássaros” localizado na traqueia) e na concreção dos músculos flectores dos dedos. São os passarinhos que alegram nossas manhãs com seus cantos.
 Já Ave é um termo mais amplo, de acordo com a classificação Lineana clássica é uma classe dos vertebrados, a qual reúne cerca de 30 ordens (Passeriformes é uma dessas 30 ordens). Assim, todo pássaro é realmente uma ave, pois está inserido na classe Aves, porém nem toda ave é um pássaro, uma vez que é possível ter 29 outras ordens que não Passeriformes.


Espero que tenha esclarecido a questão.
Críticas, dúvidas e sugestões: lourivaldias@gmail.com
Até!

FONTES:
Pough, J. H.; C. M. Janis; J. B. Heiser.2008. A vida dos Vertebrados. 4ª ed. São Paulo, Atheneu.
Kardong, K. V. 2011. Vertebrados: Anatomia Comparada, Função e Evolução. 5a ed.  São Paulo.  Roca.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Aves: um grupo de répteis


Quem é meu aluno sabe que em todo início de curso de Zoologia de Vertebrados eu falo: “Répteis não existem”. Essa frase é instigante, ou ao menos procuro que seja e que os alunos sejam críticos o suficiente para avaliá-la do ponto de vista da sistemática filogenética.
Mas de onde vem essa frase?
Como já falei em um post anterior um grupo natural ou monofilético é aquele que reúne seu ancestral e todos os descendentes. Certo, quanto a isso não existe mais dúvida, mas o que isso tem a ver com os répteis.
O termo “Répteis” como conhecemos hoje é utilizado para agrupar os seguintes animais: tartarugas, lagartos, serpentes e crocodilos [ainda existe o grupo dos Tuatara, um tipo de réptil com apenas duas espécies e com distribuição restrita à Nova Zelândia, mas normalmente não é citado no agrupamento reptiliano]. Todos esses indivíduos são agrupados por apresentar, de maneira bem simplória, “pele seca com escamas”.
Agora analisemos o seguinte cladograma do agrupamento dos répteis retirado do A Vida dos Vertebrados (Pough et al., 2008):


 O que é possível perceber? Que existe um grupo intruso!!
As Aves aparecem como um ramo mais derivado dentro dos répteis.
Assim, quando consideramos o conceito de grupo monofilético o mesmo não se aplica para o cladograma acima.
“Répteis” como conhecemos, ou pelo menos o que se encontra no imaginário popular, é na verdade um grupo parafilético, ou seja, não reúne todos os descendentes, deixando de fora um agrupamento monofilético menor.
O que é difícil de esclarecer para a maioria das pessoas é a questão de Aves serem répteis, mas a taxonomia clássica tem sua parcela de culpa. Considerando a taxonomia lineana temos que os vertebrados são divididos em cinco classes: peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, assim temos que répteis e aves são grupos distintos e não que um (aves) está contido no outro (répteis).
Isso já foi debatido há muito tempo atrás. O próprio Thomas Huxley [o “Buldogue” de Darwin] já indicava que aves e répteis pertenciam à mesma classe: Sauropsida e que as Aves seriam “répteis glorificados”. Essa ideia se perdeu no decurso da história científica, mas já é discutida novamente, principalmente por conta do avanço da sistemática filogenética e da biologia molecular.
Então, lembrem-se Aves são Répteis!
Dicas, sugestões e críticas: lourivaldias@gmail.com
Até!