sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Doenças transmitidas pelas fezes de pombos


Pombos são aves cosmopolitas da ordem Columbiformes. Os pombos estão classificados na espécie Columba livia Gmelin, 1789 com 12 subespécies distribuídas no mundo (Gibbs, 2000).
Como se não bastasse serem amplamente distribuídos podem transmitir várias doenças. Por esse fato algumas pessoas fazem referência a esses organismos como “ratos com asas”, causando grande repulsa. Talvez a grande exceção seja na Praça São Marcos em Roma, na Itália.


            Vamos às doenças que podem ser transmitidas pelas fezes dos pombos.

1. Criptococose: doença transmitida por fungos que ocorrem nas fezes desses animais. Uma vez aspirados os esporos podem atingir o sistema nervoso e causar meningite.

2. Salmonelose: as fezes dessas aves quando secas se transformam em poeira que vão para o ar e então pode contaminar alimentos e água com Sallmonella que pode estar nesses excrementos.

3. Encefalites virais: vários vírus que atacam o sistema nervoso podem ser transmitidas através de mosquitos que picam os pombos, contaminando-se e então passando tais vírus para o ser humano. Dentre esses vírus estão, por exemplo, Vírus do Nilo Ocidental, Encefalite de São Luís.

4. Escherichia coli: bactéria que normalmente se encontra no trato intestinal humano, porém dependendo da sua densidade populacional pode trazer danos à saúde. Assim como a salmonela essa bactéria pode contaminar o ser humano pelo mesmo processo.

5. Toxoplasmose: normalmente associada a gatos e ratos essa doença também pode ser transmitida pelas fezes de pombos. Normalmente afeta pessoas que estão com seu sistema imune enfraquecido, como imunodeprimidos e gestantes.

6. Ornitose: doença causada pela Chlamydia psittaci

7. Dermatite: afecções cutâneas causadas pelo que se chama de "piolho de pombo" que na verdade são ácaros, Ornithonyssus sp.

8. Alergias em geral: causadas pelas fezes ou pelas penas.

Essas são as principais doenças transmitidas por pombos, assim deve-se ficar atento à presença desses animais em locais frequentados rotineiramente por vocês, para evitar uma possível contaminação.
Dúvidas, críticas e sugestões: lourivaldias@gmail.com
Até!

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Cola na Prova


Vez ou outra, ao passar prova, vejo alguns alunos alongando o pescoço mais do que deveriam e com foco não na sua prova, mas na do colega ao lado. O que penso disso? Quem ganha e quem perde? Quem é o “esperto”? Quem está enganando?
Primeiramente a prova, seja ela discursiva ou objetiva, não é o melhor dos métodos para se avaliar as capacidades cognitivas e de raciocínio dos alunos, mas ainda é, ao meu ver, a melhor forma (ou a menos pior) que temos, tanto que é a mais usada, principalmente em processos seletivos, como vestibulares e concursos públicos.
Certo, ainda que não seja o melhor método, talvez seja o melhor que temos e por isso eu, como professor, avalio meus alunos através de provas.
Porém, sempre há um espertinho que buscando uma boa nota tenta pegar respostas do colega ou mesmo teve todo um processo de preparar material para “auxiliá-lo na hora da prova”. Talvez não seja nem tanto a “esperteza” que o levou a fazer tal ato, mas o desespero e angústia.
Pois bem, o que vejo aí não é um mal que vem diretamente a mim, mas é o próprio aluno que está se enganando. Ao se deixar levar pela cola o aluno perde a oportunidade de testar seus conhecimentos ou mesmo de se colocar em um momento avaliativo pelo qual poderá passar futuramente na sua carreira profissional.
Às vezes, confesso, fico com uma certa raiva e chego a me pegar pensando: - Como assim aquele cara tá colando!? Tá me desrespeitando! Mas daí penso em seguida: - Vale à pena me estressar com isso?
Deixa ele se achar o “esperto”, aquele que consegue passar, mesmo colando, naquela disciplina. Ao final do curso ele conseguiu! Chegou ao que interessava! Chegou ao final!
Será mesmo?
O fim não está na universidade, mas no mercado de trabalho e é de lá que ele vai ser cobrado pelo tipo de aluno que foi durante a sua estadia no Ensino Superior (ou mesmo qualquer nível de ensino) e uma vez fora da universidade ele vai ser avaliado, de modo ainda mais criterioso do que na instituição de ensino, já que agora estará envolvendo um emprego e um salário, consequentemente.
É aí que eu, no meu humilde pensamento, acho que o problema não está em mim para policiar a todos na sala de aula, mas cada um deve avaliar o seu propósito de vida e pensar no que é melhor para si. Colar, passar, formar e não conseguir um bom emprego (pois não tem conteúdo técnico suficiente para conquistar aquela vaga) ou se esforçar, reprovar (por que não?), passar, formar e estar em um bom lugar na sociedade (claro que não existe fórmula pronta pra isso, existe sim um imenso esforço e daí depende de cada um).
Óbvio que não tratei aqui daqueles que estão fazendo um curso que não se interessam e daqueles que tem uma mente empreendedora que darão certo em outro aspecto da sociedade, mesmo não seguindo no ensino formal.
Espero que entendam meu ponto de vista e reflitam, seja você aluno ou professor, pergunte-se: Vale à pena mesmo?
Muito obrigado.
Até!
Dúvidas, críticas e sugestões: lourivaldias@gmail.com

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Buracos Negros [Livro]


Stephen Hawking, um dos maiores físicos/cientistas de todos os tempos, mesmo com toda a sua limitação física, não media esforços para se fazer presente na mídia como um dos mais atuantes divulgadores científicos.
Em seu mais novo livro, “Buracos Negros”, lançado no Brasil pela editora Intrínseca, nos trás duas palestras proferidas pelo professor na BBC Reith Lectures, série de palestras anuais proferidas por grandes mentes científicas e transmitidas pela rádio BBC4. As palestras foram organizadas e apresenta notas explicativas pelo jornalista científico David Shukman, editor de ciências da BBC News.
A primeira coisa que chama a atenção tanto do público leigo quanto dos leitores ligados de algum modo à academia são os títulos inusitados das palestras de Hawking. Sendo os títulos de suas palestras: “Buracos negros não têm cabelo” e “Buracos negros não são tão negros quanto se diz”.
Nessas palestras o físico teórico aborda o que há de mais recente em suas pesquisas sobre os buracos negros, bem como explicar para as pessoas comuns alguns conceitos que seriam abordados apenas em cursos avançados de físico. Com uma linguagem acessível e explicações que não deixam a desejar, apesar dos jargões técnico-científicos, o professor passeia por um dos grandes mistérios da ciência.
O livro finaliza com um breve resumo de um dos seus últimos artigos, antes de sua morte, “Cabelos Macios em Buracos Negros” (outro título hilário) no qual aborda acerca da existência da radiação Hawking, que se descoberta daria o Nobel para o pesquisador, mas que ainda está sendo investigada e quem sabe exista de fato.
Além das explicações o livro é repleto de ilustrações para facilitar o entendimento, algumas delas cheias de humor, como só Dr. Hawking sabe fazer com sua comunicação irreverente, a qual vem desde seu clássico “Uma Breve História do Tempo”.
Fica aqui uma dica muito preciosa não só para o aluno ou professor de física, mas para toda pessoa que tem interesse em saber um pouco mais sobre um dos mais intrigantes objetos cósmicos que se tem notícia.
Dúvidas, criticas e sugestões: lourivaldias@gmail.com
Até!

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

O peso da vida


Às vezes achamos que, por conta do fato de hoje a população humana ter atingido a marca de cerca de 7 bilhões de indivíduos (e contando), somos a espécie predominante e aquela que mais “pesa” sobre a superfície da Terra.
Porém, um artigo publicado em 2018 no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS), intitulado “The Biomass distribution on Earth”, mostrou justamente o contrário, entre outras informações interessantes. O objetivo desse artigo foi quantificar a composição da biomassa geral da biosfera, uma vez que, segundo os autores, o censo da biomassa da Terra é a chave para entender a estrutura e dinâmica da biosfera.
Bar-On, Phillips e Milo, autores do artigo, encontraram um total de aproximadamente 550 gigatoneladas (Gt) de biomassa de carbono distribuídos entre todos os Reinos da vida, distribuídos em todos os locais do planeta.
Só para se ter um comparativo, 1 Gt equivale a 1 bilhão de toneladas ou 1.000.000.000.000 Kg!
As plantas são os organismos que mais “pesam”, totalizando 450 Gt e que predominam no ambiente terrestre. O Domínio Bacteria vem em segundo lugar com sua biomassa alcançando 70 Gt de carbono, já Archaea alcançam 7 Gt, ambos domínios mais representativos nas profundezas do planeta.
E os animais? Estes alcançam apenas 2 Gt, de modo que os humanos representam somente 18% dessa biomassa (0,06 Gt) e é maior que a biomassa estimada para os mamíferos selvagens (0,007 Gt) e isso corrobora a questão do impacto da humanidade sobre a biomassa global de taxa proeminentes, como outros mamíferos e peixes, por exemplo. Interessante perceber que nós não alcançamos nem os vírus (0,2 Gt).


Os pesquisadores também mostraram que a biomassa terrestre tem duas ordens de magnitude maior que a biomassa marinha e esta possui muito mais consumidores do que produtores.


Para saber mais sobre como os autores realizaram tais análises e estimativas da biomassa (obviamente que eles não saíram pesando a biomassa seca de tudo que viam pela frente em todo o mundo, inclusive você), o artigo pode ser acessado aqui: https://www.pnas.org/content/115/25/6506
A Superinteressante publicou um infográfico bastante interessante com os comparativos de biomassa por táxon.


Dúvidas, críticas e sugestões: lourivaldias@gmail.com
Até!

FONTE:
BAR-ON, Y. M.; PHILLIPS, R. & MILO, R. 2018. The biomassa distribution on Earth. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. 115 (25): 6506-6511.