quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Animais fotossintetizantes


Quando falamos em fotossíntese é bem comum vir logo à mente as plantas. Pesquisando mais um pouco descobrimos que protozoários também podem ter pigmentos e vias metabólicas responsáveis pelo processo. Porém, não para por aí.
Animais também podem realizar fotossíntese! Sim, é isso mesmo. Não todos os animais, evidentemente, mas o que chama atenção é que até um tempo atrás não se esperava essa capacidade advindo desses seres.
Mas primeiro o que viria a ser essa fotossíntese. Ela é o processo de transformar água, gás carbônico, sais minerais e luz solar em glicose (alimento). Esta substância entra em outras vias metabólicas para a obtenção de energia. A fotossíntese só é realizada na presença de um pigmento, no caso clorofila que fica alojada nos cloroplastos.
Já são conhecidos uma lesma, pulgões e uma salamandra (possivelmente) que realizam o processo.
A lesma Elysa chlorotica possui clorofila em suas células. Esse molusco foi o primeiro animal em que o processo de fotossíntese foi descoberto. Mas a capacidade fotossintética não é original do próprio animal, ele adquire essa capacidade após realizar a cleptoplastia das algas marinhas Vaucheria litorea, ou seja, eles roubam seus cloroplastos. Apesar de espantoso essa descoberta se deu em 1870 por Augustus Addison Gould, mas somente relatado em 2010 por Sydney Pierce.

Elysa chlorotica

O pulgão Pisum acyrthosiphon é uma praga de diversas leguminosas e que possui um sistema de fotossíntese. Ao invés da luz ser absorvida pela clorofila, nesses insetos os fótons são absorvidos por carotenoides, pigmentos que apresentam outras funções primárias. Esses pulgões, através dessa maquinaria metabólica produzem muito mais ATP, quando em presença de luz, em relação a outros que possuem poucos carotenoides.

Pisum acyrthosiphon

Outro animal com certa capacidade de fazer fotossíntese é a salamandra Ambystoma maculatum que possui, em algumas células, algas fotossintéticas. Foi Ryan Kerney que revelou a simbiose existente entre as células da salamandra e a da alga Oophila amblystomatis. Essa relação ocorre desde a fase embrionária da salamandra. As algas “contaminam” a próxima geração de animais por estarem presentes no aparelho reprodutor das fêmeas. Esse é o primeiro caso de simbiose em que um organismo fotossintético vive dentro de uma célula de vertebrado.

Ambystoma maculatum

Apesar da estranheza desses peculiares animais que têm a capacidade de fazer, mesmo que não necessariamente do mesmo modo que as plantas, fotossíntese, é de uma beleza inenarrável se deparar com essas possibilidades da bela natureza.

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