quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Mais frio que o Zero Absoluto


Recentemente, lendo sobre temperatura e calor. Veio a dúvida: “Já chegamos próximo ao zero absoluto da escala Kelvin?”
Mas antes de responder essa questão um pouco de contexto.
Os materiais, formados por átomos, possuem energia armazenada nessas partículas, essa energia é devido ao movimento vibracional dos átomos, e seus componente, no espaço. Essa energia pode ser aferida e denominamos de temperatura. Além disso, essa energia pode ser transferida de um corpo para outro é a essa transferência de energia da vibração de moléculas em um material para outras é que denominamos de calor.
Atualmente existem algumas escalas para mensurar a energia como o Celsius, Farenheit e Kelvin. Sendo essa última definida pelo irlandês William Thomson (conhecido como Lorde Kelvin) e que indicava que, teoricamente, haveria um momento na escala na qual as moléculas não teriam mais energia, seria o Zero Absoluto (0K – lê-se: “Zero Kelvin”).
Fora de laboratório a temperatura mais baixa conhecida é a da Nebulosa de Bumerangue que apresenta 1K, menor que a temperatura média do Universo que é de cerca de 2,5K.
Até o ano de 2013, físicos já haviam atingido, em condições laboratoriais a temperatura de 0,0000000001K (1pK – lê-se: “Um pico Kelvin”).
Em temperaturas muito baixas, eventos interessantes ocorrem como a Condensação de Bose-Einstein, onde o comportamento matéria muda revelando um novo Estado da Matéria. Super fluidez e super condutividade também seriam observadas em 0K.
Porém, em 2013 um artigo publicado na Science mudou a concepção que tínhamos do zero absoluto. Físicos da Universidade Ludwig Maximilian, de Munique, criaram, com lasers e magnetismo, um gás quântico ultrafrio com átomos de potássio, superando – para baixo – Zero Absoluto da escala Kelvin (-273,15ºC).
São apenas bilionésimos de grau abaixo do 0K, mas já é o bastante para as pesquisas irem mais além e desenvolver materiais com temperaturas abaixo da “menor temperatura que se tinha notícia”.
Outra curiosidade é que o gás consegue imitar o comportamento da energia escura – que é a força misteriosa que expande o universo – podendo ajudar os astrônomos no entendimento dessa característica do cosmos.


Críticas, dúvidas e sugestões: lourivaldias@gmail.com
Até!

FONTES:
BRAUN, S.; RONZHEIMER, J. P.; SCHREIBER, M.; HODGMAN, S. S.; ROM, T.; BLOCH, I. & SCHNEIDER, U. 2013. Negative absolute temperature for motional degrees of freedom. Science 339: 6115, 52-55.

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